
Auto-Biografia
Paraense, graças a Deus, 53 anos de idade, 40 anos de vida artística, desde a Rádio e Televisão Marajoara,
onde atuamos como radio e tele-ator, cantor, apresentador e, enfim, bebemos em várias fontes
até o aprendiz eterno que somos.
"Ser saudade, foi o bem que seu amor me fez
e foi matar-me pouco em cada vez
Pois de amor também se morre"
Ser Saudade/1977
Temos dito que nossa vida artística cabe perfeitamente:
em uma caixa de sapatos, onde guardamos recortes generosos de jornais que até nos dizem poeta,
palavra grande demais para quem apenas consegue escrever letras musicais como dever de
ofício e tentativa;
em uma parede de um apartamento onde habita a paz e a felicidade no Jurunas, em Belém, e que
abriga quadros e fotos de pessoas queridas, que me ajudaram a escrever a singela história
de quem, por modernagem, hoje se rende ao que chamam de "site";
e em 25 discos, e mais algumas participações, que totalizariam 528 músicas gravadas, inclusive
com almas iluminadas como Sivuca, Vital Farias, Beka, Chico Sena, e tantos outros, que por
bondade me fizeram o razoável compositor e músico que sou, de lutas e de sonhos que insisto
em carregar dentro de meu peito.
"Nenhuma canção será vã, para anunciar a Primavera"
Porões (Emanoel Matos e Alcyr Guimarães)/1990
Por fim, como não acredito em inspiração, e sim em transpiração, continuo a compor vagarosamente
e a cantar o que faço na esperança de um dia aprender a aprender.
"Tenho lábios, mas onde eu compro um sorriso
Tanta fé em meu Deus, mas de pão que preciso
Já perdi companhias e ganhei inimigo
É que eu brinco com a vida e ela briga comigo"